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Efeitos colaterais do IQOS: o que já se sabe

Garganta irritada, tosse, boca seca e dor de cabeça no tabaco aquecido: o que aparece nos relatos, o que ainda é desconhecido e quando procurar médico.

Publicado Atualizado Puff Counter Team 5 min de leitura

  • tabaco aquecido
  • sintomas

Resposta rápida

Os efeitos mais relatados no tabaco aquecido são irritação de garganta, tosse seca, boca seca e dor de cabeça, geralmente nas primeiras semanas de uso. A nicotina também acelera o coração e eleva a pressão. Os efeitos de longo prazo são desconhecidos: o produto existe desde 2014 e não há acompanhamento suficiente.

Os efeitos colaterais mais relatados por quem usa tabaco aquecido são irritação de garganta, tosse seca, boca seca e dor de cabeça, principalmente nas primeiras semanas. Somam-se a eles os efeitos conhecidos da nicotina: aumento de frequência cardíaca e de pressão arterial após o uso.

O que não existe é a resposta que a maioria realmente quer. O produto chegou ao mercado por volta de 2014, e doenças ligadas ao tabaco aparecem nos dados depois de décadas. Falar em efeitos de longo prazo do tabaco aquecido hoje é falar de algo que ninguém mediu ainda.

Quais efeitos aparecem com mais frequência

Estes são os relatos que se repetem em estudos de uso e em levantamentos com usuários, especialmente em quem acabou de trocar o cigarro:

  • Irritação e ardência na garganta. O aerossol chega quente e a glicerina puxa água da mucosa. O resultado é aquela sensação de garganta raspando, comum no primeiro mês.
  • Tosse seca. Aparece por irritação direta ou como parte da recuperação das vias aéreas em ex-fumantes.
  • Boca seca. Efeito direto da glicerina, que é higroscópica. Menos saliva significa mais bactéria e mais risco de mau hálito e problema de gengiva.
  • Dor de cabeça. Costuma ser dose-dependente e piorar em dias de uso acima do habitual.
  • Náusea e tontura. Sinal clássico de nicotina em excesso, comum em quem passa a usar mais bastões do que fumava cigarros.
  • Palpitação. A nicotina acelera o coração de forma previsível, e quem é sensível percebe.

Nenhum desses é exclusivo do tabaco aquecido. A maioria aparece também no cigarro e no vape, o que já diz algo sobre a origem: boa parte deles vem da nicotina e do calor, não do que arde.

Por que a tosse pode aumentar depois de trocar o cigarro

Esse ponto confunde muita gente e vale explicar direito, porque leva pessoas a concluírem que o produto novo “fez mal”.

O tabagismo paralisa os cílios que revestem as vias aéreas — as estruturas microscópicas que empurram muco e sujeira para fora. Quando a fumaça sai de cena, esses cílios voltam a funcionar em semanas. A primeira coisa que eles fazem é limpar o que ficou parado ali, e limpar significa tossir.

Ou seja, é possível que a tosse aumente logo depois da troca justamente porque a exposição à fumaça caiu. Ela costuma se organizar ao longo de algumas semanas.

O que não se encaixa nessa explicação e pede avaliação médica: tosse que não melhora depois de um mês, chiado, falta de ar, dor no peito, rouquidão persistente, ou qualquer escarro com sangue.

O que ainda é desconhecido, com honestidade

Aqui a resposta correta é reconhecer o tamanho do vazio.

Laboratórios independentes confirmam que o aerossol do tabaco aquecido tem níveis menores de vários tóxicos clássicos da combustão. Os mesmos estudos encontram compostos em quantidade comparável à da fumaça, e alguns em quantidade maior. É um perfil químico diferente, não um perfil limpo.

Em 2020, a FDA autorizou a venda com alegação de exposição reduzida e recusou explicitamente a alegação de risco reduzido, por ausência de evidência. A OMS mantém que produtos de tabaco aquecido são produtos de tabaco e que exposição menor a alguns tóxicos ainda não foi demonstrada como menos doença.

Traduzindo: sabemos o que sai do aparelho. Não sabemos o que isso faz em vinte anos. Quem afirma qualquer uma das pontas — “é seguro” ou “é igual ao cigarro” — está indo além dos dados.

O que fazer com os sintomas do dia a dia

Enquanto você decide o que quer fazer com o hábito, algumas coisas ajudam de verdade:

  1. Beba mais água do que parece necessário. A glicerina resseca, e boa parte da dor de cabeça e da boca seca melhora com hidratação.
  2. Observe a relação entre quantidade e sintoma. Anote, por três dias, quantos bastões você usou e como estava a garganta. A relação costuma aparecer sozinha.
  3. Não use nos primeiros trinta minutos depois de acordar. Além de ser o teste clássico de dependência mais alta, esse é o uso que mais irrita a garganta, ainda seca da noite.
  4. Afaste o último uso do horário de dormir. A nicotina é estimulante e deixa o sono mais leve.
  5. Cuide da boca. Menos saliva pede mais escovação, fio dental e visitas ao dentista.

O sintoma que ninguém lista

Existe um efeito colateral que não aparece em estudo de tolerabilidade e é o que mais custa caro: a permanência.

O tabaco aquecido tirou o fogo do seu dia. Deixou intacta a dependência, o gasto e o tempo. Doze sessões diárias de seis minutos somam mais de uma hora por dia, todo dia, gastas para manter um nível de nicotina — e o dinheiro correspondente ao maço que você fumava continua saindo, muitas vezes em quantia maior.

A parte boa é que esses custos têm data de devolução conhecida. Vinte minutos depois da última sessão, frequência cardíaca e pressão começam a cair. Em 48 horas, olfato e paladar mudam o suficiente para a comida ficar diferente. Em duas a doze semanas, circulação e função pulmonar melhoram (OMS, CDC).

E vale dizer, porque quase ninguém diz: a maioria das pessoas que hoje não usa nada tentou várias vezes antes de conseguir. Recomeçar não é reiniciar do zero, é continuar de onde parou.

Dois minutos hoje

Antes de qualquer decisão sobre parar, resolva o que dá para resolver hoje: conte quantos bastões você usou. Sem meta, sem cobrança, sem mudar nada.

A maior parte das pessoas está acima da própria estimativa, e é essa diferença invisível que faz “vou diminuir” nunca virar plano. Não se reduz um número desconhecido.

O Puff Counter serve exatamente para isso: registra cada bastão no momento em que acontece e recalcula o limite da semana seguinte a partir da sua média real, um degrau pequeno por vez.

Perguntas frequentes

É normal ter dor de garganta usando tabaco aquecido?

É um dos relatos mais frequentes, principalmente no primeiro mês. O aerossol chega quente e a glicerina resseca a mucosa, o que gera ardência e pigarro. Se a dor persistir por mais de duas ou três semanas, se houver rouquidão contínua ou sangue, isso deixa de ser adaptação e vale consulta médica.

O IQOS causa tosse?

Sim, tosse seca é comum, sobretudo no início. Ela pode vir da irritação direta pelo aerossol aquecido ou, em quem trocou o cigarro, da recuperação dos cílios das vias aéreas, que voltam a expulsar muco acumulado. As duas causas existem e é difícil separá-las sem avaliação.

Quais são os efeitos do IQOS a longo prazo?

Não se sabe. O tabaco aquecido moderno chegou ao mercado por volta de 2014 e doenças associadas ao tabaco costumam levar décadas para aparecer nos dados populacionais. A OMS trata esses produtos como produtos de tabaco e afirma que a redução de exposição a alguns tóxicos ainda não foi demonstrada como redução de doença.

O tabaco aquecido faz mal ao coração?

A nicotina eleva a frequência cardíaca e a pressão arterial logo depois do uso, independentemente do produto. O monóxido de carbono, que é um dos fatores cardiovasculares do cigarro, cai muito por não haver combustão. Isso reduz parte da exposição, mas não elimina o efeito da nicotina sobre o sistema cardiovascular.